sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Igrejas

Igreja de São Pedro Grilhões


Azueira 
A Igreja de São Pedro dos Grilhões (Azueira) que, apesar de se desconhecer a data da sua fundação, já existia em 1566, conforme testemunham os registos paroquiais encontrados. Depois de ter sido destruída pelo terramoto de 1755, foi reconstruída, principalmente no seu interior, em finais do século XVIII. Actualmente, encontra-se devoluta pelo facto de se ter transferido o culto para a Igreja do Livramento.

De fachada seiscentista, possui um portal encimado por frontão contracurvado, que ostenta a tripla tiara alusiva a São Pedro. Por cima do frontão, rasga-se uma janela com interessante trabalho de cantaria. Possui apenas uma torre sineira, datada do século XVIII, que se presume posterior ao terramoto de 1755.

Templo de uma só nave, o seu altar-mor encontra-se ladeado por dois pares de colunas estriadas, com capitéis compósitos dourados. O frontão curvo, característico da época, é interrompido, ornamentado por dois anjos e, ao centro, a representação do cordeiro do "Apocalipse". Pensa-se que, inicialmente, esta Igreja ostentaria cinco altares, a saber: o altar-mor, com São Pedro e Nossa Senhora da Conceição; outro do Senhor Jesus; um terceiro, dedicado a Nossa Senhora do Rosário (do inventário de 12 de Fev. de 1911, constam uma coroa de prata da Senhora, uma coroa de prata do Menino, um vestido de seda com espiguilha de ouro, uma Imagem e um andor); outro de invocação a São Sebastião; e o último dedicado a Santa Catarina.

A imagem de madeira estofada, representando São Pedro dos Grilhões, portador da insígnia papal (a vara com a cruz de Lorena), que se encontrava no altar-mor, foi furtada. Felizmente, em 10 de Junho de 1994, esta imagem foi encontrada a boiar no rio Tejo, perto de Santarém, e entregue à GNR de Salvaterra de Magos.

Depois de recuperada é hoje, novamente, objecto de culto, provisoriamente na Igreja de Nossa Senhora do Livramento. De acordo com Eduardo de Távora de Vasconcelos Miranda, por volta de 1944, a imagem que ocupava o lugar desta, em pedra de início do século XV, foi vendida por 2.800$00, com o objectivo de contribuir para a construção do muro do cemitério.

Sabe-se que existiram ainda mais três imagens, duas de pedra, que representavam Santa Ana e Santa Luzia, de início do século XVI; e outra de Santo António com o Menino, de madeira pintada e estofada, datada do século XVIII. Segundo o mesmo autor, "os seus primitivos lugares foram [...] os altares laterais da Igreja [...] mais tarde substituídos por imagens de madeira".

Armando Lucena, por seu turno, considera que estas "não eram propriedade da Igreja onde se acham recolhidas por terem sido transportadas do cemitério anexo ao templo da Azueira, [de] onde foram retiradas por motivos ignorados". Em 1990, Fernando Ferreira refere-se à existência de duas boas imagens de pedra que, actualmente, se exibem na Igreja do Livramento.

Infelizmente, devido à sua localização periférica, este Templo foi, nos últimos tempos, vítima de vários furtos. Das imagens outrora existentes, restam apenas a de Jesus Crucificado (Senhor dos Aflitos) no altar-mor; de São Sebastião e de Nossa Senhora de Fátima, nos atares laterais; e ainda duas, de pouco valor artístico, que representam a Virgem Maria.

Nesta Igreja, era igualmente venerada Nossa Senhora de Lurdes. Neste Templo, encontra-se também uma lápide tumular brasonada, onde foi sepultado, em 1577, Charles Henriques, Camareiro do Infante D. Fernando, irmão de D. João III e Fidalgo da Casa Real.


Esta lápide tem uma inscrição em caracteres romanos que diz o seguinte: "S[epultur]A. DECHARLESHENRIQUES/FIDALG[o]. DA. CASA. D[e]LR/EI. NOSSO. S[enh]ORE. CAMAREI/RO. Q[ue]. FOIDO. I[n]F[ant]E. DÕ. FER/ÑANDO. E DE. FELIPAPAIS. SV/A, MOLHER. EDE. SEVS. HER/DEIROS. EDCÊDE[n]TÊS. ELE. FA/LECEO. A. 3. DE. IVLHO. DE 1577" Destaque ainda para a imagem de Santo António com o Menino, em madeira pintada e estofada, datada do século XVIII; e para o órgão de A . X. Machado e Cerveira, nº 16 (1787).





Igreja de Nossa Senhora do Livramento

A Igreja de Nossa Senhora do Livramento (Livramento) que tem na sua origem uma imagem da Virgem, de roca, coberta com um volante de prata e segurando na mão esquerda uns grilhões do mesmo metal, que pertencia a um mancebo de Lisboa, amigo do pároco da freguesia de Azueira.

Segundo consta, quando, em 1627, aquele jovem teve de embarcar para a Índia, com o vice-rei João da Silva Telo, entregou a imagem de Nossa Senhora do Livramento, de quem era muito devoto, ao seu amigo Padre Mateus Ribeiro, que a colocou no seu oratório privativo. Durante 28 anos ali se manteve, até que um visitante da casa se confessou admirado por aquela preciosidade não se achar ao culto numa Igreja, observação que o religioso não deixou de considerar justa e, assim, se gerou o culto à Virgem do Livramento, em Azueira.

Uma variante da história assevera que "na Quinta das Lapas, no lugar da Azueira, viveram dois eclesiásticos [...] que conservavam uma devoção extraordinária à Imagem" e que, por isso, "convidaram os moradores da freguesia [...] a que recorressem à protecção da Mãe de Deus, cuja imagem estava na sua posse, na quinta das Lapas". Seja como for, uma vez colocada num altar da Igreja de São Pedro dos Grilhões, Nossa Senhora do Livramento gerou tal devoção, que foi proposta a edificação de um Tempo próprio.

Para a sua construção escolheram um lugar próximo de uma nascente de água milagrosamente dada pela Senhora. A obra foi iniciada no dia 20 de Setembro de 1655 e sagrada no segundo Domingo de Novembro do ano seguinte, com enorme concorrência de fiéis. Por ocasião da primeira Eucaristia celebrada na Ermida, no dia de Reis, em 1657, foi sentida a necessidade de se edificar duas casas de romeiros para abrigar as centenas de peregrinos de freguesias vizinhas, que à Ermida acorriam continuamente, para cumprir promessas ou para agradecer a concessão de graças.

Esta foi a origem da Casa dos Círios, desde 26 de Março de 1966, convertida em Salão Paroquial. Tal era a afluência de devotos que "se viu em breves dias a sua casa ornada de memórias e troféus alcançados contra as enfermidades e elementos [...]. E assim são muitos os quadros [ex-votos] que pendem das paredes daquela Casa; muitas as mortalhas, os círios e outros sinais [...]". (Santuário Mariano, pág. 85) Entretanto, muitos foram os Círios que se congregaram em devoção à Virgem.

Com a continuação e o aumento das esmolas foi possível a construção da capela-mor e de uma sacristia mais ampla, à sombra das quais, o lugar do Livramento foi crescendo. O terramoto de 1755 deixou a Ermida destruída, tendo a sua reconstrução sido autorizada pelo Patriarca, em 1786.

Com o decorrer dos anos, a maior romaria passou a ter lugar no dia 1 de Novembro, sendo tradição o encontro entre os Círios de Fernandinho, Poços (Freiria) e Mafra (este, também denominado «Círio de Todos os Santos», que deve ter começado entre os anos de 1666 e 1682), na Feira de Todos os Santos, que dura dois dias.

Durante anos, a festa da Senhora do Livramento realizava-se nas Capelas dos Murtais e do Arquitecto, alternadamente. O Círio partia ora de Vilãs, ora de Gorcinhos, Gonçalvinhos, Zambujal, Almada ou Vila Velha. À frente seguia o carro dos foguetes e o gaiteiro sentado ao lado do cocheiro, seguindo depois muitos carros, «brecks» e carroças.

Sensivelmente a meio do cortejo, ia o trem com o juiz da festa, os mordomos e a Senhora. Já no Livramento, a festa continuava na Igreja, sendo muito comuns, as desordens populares. De regresso, o Círio saía da Igreja à tardinha, passava pelo Gradil, Codeçal, Murgueira e Paz, chegando a Mafra, já pela noite.

Dando três voltas à Praça, rumava à Vila Velha, onde o gaiteiro tocava e eram lançados foguetes. Em casa do novo juiz, o bailarico entrava pela noite dentro, dançando-se ao som de harmónios e ferrinhos. O juiz eleito, designado ou voluntário, como forma de pagamento de promessa, guardava, durante um ano, o estandarte e a imagem de Nossa Senhora, os paramentos, opas, alfaias e objectos de ouro provenientes das promessas de devotos.

Em sua casa, armava-se um altar, na melhor divisão da casa, atapetando-se o chão com murta e rosmaninho, nos dias que antecediam a festa, até à partida da Imagem, em procissão, para a Capela.

Perdida desde, talvez, 1946, esta tradição foi recuperada em 1981. A sua festa, actualmente, consta de missa na Igreja de Santo André, procissão e arraial, com conjunto musical do qual faziam parte duas gaitas de foles e clarinete.

No dia 1 de Novembro de 1986, foi inaugurada uma Capela deste título, nos Gonçalvinhos. Afonso Machado concebeu o Templo e a obra foi patrocinada pelo executivo da Junta de Freguesia de Mafra. Num inventário de bens da Igreja de São Pedro da Ericeira, de 1889, encontram-se registadas duas coroas de prata (uma do Menino) e uma maquineta de vidro.

Num de São Pedro dos Grilhões, de 28 de Junho de 1896, registam-se umas argolinhas de ouro com 13 gramas, oferecidas à Senhora. Num da Igreja de Nossa Senhora do Livramento, de 12 de Fevereiro de 1911, faz-se referência a uma imagem, duas coroas de prata dourada e outras duas de prata da Senhora e do Menino e um andor da referida Imagem.

Noutros inventários, já do século XX, regista-se a existência de uma imagem de Santo António com o Menino de pé sobre livro, de madeira pintada, datada do século XVIII; de outra representando Nossa Senhora da Conceição, que ostentava um diadema com estrela de prata; de um cordão de ouro com medalha e de um andor.














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